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Relançam o Foro de São Paulo

20 May 2008

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Por: Alejandro Peña Esclusa

De 22 a 25 de maio, em Montevidéu, se realizará o XIV Encontro do Foro de São Paulo (FSP), com o objetivo declarado de “relançar” essa organização que agrupa todos os movimentos de esquerda da América Latina.

Para consegui-lo, os membros do FSP – fundado em 1990 por Fidel Castro e Lula da Silva – querem antes de tudo “limpar” seu prontuário, ocultando que entre seus sócios fundadores se encontram nada menos que as FARC e o ELN. Não só omitem esse minúsculo detalhe, como todo o seu passado, porque a página web do Foro de São Paulo (www.forosaopaulo.org) encontra-se convenientemente inacessível desde há vários meses. Nesta etapa, só lhes interessa ressaltar que contam entre seus membros com doze presidentes latino-americanos, incluindo sua nova aquisição, Fernando Lugo.

No documento que serve de base para o XIV Encontro, intitulado “A Esquerda da América Latina no Novo Tempo – A Riqueza da Diversidade”, os membros do Foro de São Paulo adiantam quais serão algumas de suas conslusões: condenar Uribe, por haver dado baixa em Raúl Reyes, argumentando – é claro – a violação da soberania do Equador, e rechaçar o referendum autonômico de Santa Cruz, repetindo a calúnia sobre os planos do “Império” para desmembrar a Bolívia. É de se esperar também que desqualifiquem o informe da INTERPOL, posto que muitos dos membros do Foro aparecem no computador das FARC.

O Foro de São Paulo confessa – sem ruborizar-se – que pretende criar uma “Organização de Estados Latino-Americanos que exclua os Estados Unidos e que inclua Cuba”, ao mesmo tempo em que se jacta de ter entre os seus o Secretário Geral da OEA, José Miguel Insulza. “Na OEA – diz o documento – que outrora fora o ministério de Colônias dos Estados Unidos, também se produziram mudanças substanciais. Para a secretaria geral foram eliminados três candidatos sucessivos impulsionados pelos Estados Unidos (o costa-riquenho Rodríguez, o salvadorenho Flores e o mexicano Derbez) e se impôs um candidato impugnado por Washington”, ou seja, Insulza.

O FSP também propõe criar uma OTAN latino-americana, alegando que é para dirimir conflitos, porém, cujo verdadeiro objetivo é apoiar-se mutuamente, inclusive com o uso das armas em situações de crise política como as que se avizinham justamente pela forma totalitária com que seus membros governam. “Considera-se a concepção de um Conselho de Defesa Sul-Americano, já examinado concretamente pelo Brasil e Venezuela, precisamente para dirimir situações conflitivas de forma pacífica, e que se entrelace com os grandes projetos de integração continental como a UNASUR e o Banco do Sul”.

Os integrantes do Foro reafirmam sua cosmovisão marxista e materialista, ao pretender romper com a Civilização Cristã Ocidental (eurocentrismo) para impor sua visão indigenista, segundo a qual não houve nem Conquista nem Evangelização, mas genocídio (etnocentrismo).

Segundo um cabo da agência alemã DPA, datado de 20 de maio, Daniel Ortega e Fernando Lugo confirmaram sua participação. Por sua parte, segundo uma nota da AFP, datada de 18 de maio, Lula da Silva reconheceu haver criado o Foro de São Paulo, segundo ele, para “educar a esquerda a compreender que existia a possibilidade de disputar eleições e ganhar pela via democrática”.

O que Lula não disse, é que – embora agora pretendam escondê-lo – as FARC são parte integral do Foro de São Paulo e que, portanto, seus membros são culpados de haver compartilhado durante dezoito longos anos a mesma mesa com terroristas, narco-traficantes, assassinos e seqüestradores.

Nota da Tradutora: Ouçam também um aúdio da entrevista que Alejandro Peña Esclusa ofereceu à jornalista venezuelana Marianella Salazar no programa “Hoy por hoy”.

Tradução: Graça Salgueiro